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    Campanha da Fraternidade 2015
     
    Data da publicação: 18 de fevereiro de 2015
     

    A história da Campanha da Fraternidade teve origem alguns anos antes do início do Concílio Ecumênico Vaticano II, quando um pequeno grupo de padres recém-ordenados, sob a coordenação de Dom Eugenio Sales, reunia-se em Natal, cada mês, para rezar e refletir sobre a Igreja e a Pastoral. Daí surgiram várias iniciativas postas em prática, com sucesso. Algumas vieram a ter dimensão nacional. Dentre elas estão o primeiro Regional da CNBB, que abrangia as dioceses da área territorial que ia do Maranhão à Bahia; o primeiro planejamento pastoral, colocando a técnica a serviço do Reino de Deus; a organização sistemática dos trabalhadores em sindicatos rurais, reconhecidos pelo Governo. E, logo a seguir, a primeira Federação dos Trabalhadores Rurais no Rio Grande do Norte; paróquias confiadas a religiosas; as escolas radiofônicas e outras iniciativas, sem esquecer a Campanha da Fraternidade, posteriormente assumida em nível nacional pela CNBB no ano de 1964.

    No Nordeste semi-árido, pobre, mas confiante em Deus, nasceram estas atividades fecundas, fruto do Evangelho posto em prática. A Arquidiocese de Natal havia recebido alguma ajuda, de modo particular da Igreja da Alemanha, que mal saíra da catástrofe da 2ª Guerra Mundial. Muitos outros projetos de ajuda financeira eram encaminhados a outras nações, mas, particularmente, à “Aktion Misereor”, do Episcopado Alemão.

    Alguns dirigentes do Serviço de Assistência Rural (SAR) julgaram ser importante criar, entre católicos, uma mentalidade de cooperação local com as obras pastorais e sociais da Igreja, dando, assim, maior credibilidade aos pedidos feitos ao estrangeiro. Ao chegarem respostas favoráveis dos católicos, o grupo de sacerdotes e leigos julgou que, de sua parte, deveria fazer algo para que se pudesse solicitar colaboração aos irmãos na Fé.

    Dom Heitor de Araujo Sales, então sacerdote potiguar, estudando na Europa e passando as férias na Alemanha, trouxe todo o material da estrutura da “Misereor” e a divulgação de suas campanhas. Na sede do Movimento de Natal, os subsídios vindos da Europa foram traduzidos e adaptados à realidade brasileira. Um grupo estudou o assunto, escolheu o nome que vigora até hoje - Campanha da Fraternidade -, organizou da melhor maneira a Campanha com essa dupla finalidade: evangelizadora e social.

    Foi na cidade de Nísia Floresta que surgiu o embrião da Campanha da Fraternidade. Caminhadas à pé, de casa em casa, de rua em rua, de povoado em povoado. Quase paralelamente às marchas, foram criadas as Semanas da Fraternidade. Eram doados ovos, galinhas, hortaliças frutas e o resultado comercializado numa feira cuja renda tinha como finalidade a compra de colchões, redes, dentre outras coisas, para as famílias pobres espalhadas em treze comunidades ligadas ao município.

    A experiência das Irmãs Vigárias nesta cidade e das marchas foi implantada depois em São Gonçalo do Amarante e Taipu. Tudo com o apoio da Santa Sé, como sempre trabalhou Dom Eugenio Sales, e com a ajuda dos leigos.

    A primeira Campanha da Fraternidade ficou restrita à Arquidiocese de Natal, em 1962. A coleta rendeu um milhão de cruzeiros importância que corresponde, hoje, em torno de R$ 47.700,00. A segunda, na Quaresma de 1963, abrangeu 25 dioceses do Nordeste. O aviso da Cúria nº 5/1963, sobre o assunto na Arquidiocese de Natal, trazia elementos valiosos: “Em todas as matrizes, igrejas, capelas, escolas e também no comércio, far-se-á uma grande coleta em favor das obras apostólicas e sociais da Arquidiocese”. Referia-se ao costume, iniciado nos Estados Unidos e países europeus, de designar um dia para angariar donativos destinados à Igreja e ao mundo subdesenvolvido. E continuava: “Entre nós, iniciamos no ano passado essa Campanha, que encontrou muita receptividade em nossas comunidades paroquiais. Ela é feita neste tempo para significar o sacrifício de toda a comunidade diocesana na Quaresma, em favor de seus irmãos”. Assina-o, o Vigário Geral. O Secretário da Cúria dá outras indicações e providências em documento também publicado no jornal diocesano, “A Ordem”, de 9 de março de 1963.

    No opúsculo, “Campanha da Fraternidade, 20 anos de serviço à missão”, publicado em 1983 pela CNBB, na página 21, há uma correspondência do então Secretário Geral, Dom Helder Câmara, a todos os Bispos do Brasil, com data de 26 de setembro de 1963. É a transição de âmbito local para o nacional. O assunto fora tratado pelo Episcopado, reunido, em Roma, para o Concílio Vaticano II e aprovado a 20 de dezembro do ano seguinte.

    Em 1964, a notícia, no citado periódico “A Ordem”, a 15 de fevereiro, traz o seguinte título: “Campanha da Fraternidade realiza-se, este ano, em todo o Brasil”. Assim começa a matéria: “Iniciou-se nesta semana a Quaresma e, com a Quaresma, a 3ª Campanha da Fraternidade, em Natal. Este ano, pela primeira vez, saiu como ‘Campanha Nacional com Dioceses’ em todo o País, tendo as mesmas finalidades. Tratava-se de uma oportunidade de os fiéis assumirem suas responsabilidades na manutenção das obras católicas. A ênfase era ser ‘Campanha mais formativa que promocional’. Incluiu outros colaboradores: ‘entidades comerciais da Cidade comprometeram-se a dar pleno apoio à Campanha’”.

    Atualmente, na sua trajetória nacional desde 1964, com nobres objetivos, a Campanha alcança novos horizontes incluindo a comunhão com outras igrejas cristãs.


    Oração oficial da CF 2015
    Tema:“Fraternidade: Igreja e Sociedade” 
    Lema: “Eu vim para servir” (cf. Mc 10,45)


    Ó Pai, Alegria e esperança de vosso povo,
    vós conduzis a Igreja, servidora da vida,
    nos caminhos da história.

    A exemplo de Jesus Cristo
    e ouvindo sua palavra
    que chama à conversão,
    seja vossa igreja testemunha viva de fraternidade
    e de liberdade, de justiça e de paz.

    Enviai o vosso Espírito da verdade
    para que a sociedade se abra
    à aurora de um mundo justo e solidário,
    sinal do Reino que há de vir.

    Por Cristo Senhor nosso.

    Amém!

    Entenda o significado do cartaz:
    01 - O cartaz da CF 2015 retrata o Papa Francisco lavando os pés de um fiel na Quinta-feira Santa de 2014. A Igreja atualiza o gesto de Jesus Cristo ao lavar os pés de seus discípulos. O lava-pés é expressão de amor capaz de levar a pessoa a entregar sua vida pelo outro. E com este amor que todo ser humano é amado por Deus em Jesus Cristo. Ao entregar-se à morte na cruz e ressuscitar, como celebramos na Páscoa, Jesus leva em plenitude o Eu vim para servir (cf. Mc 10,45).

    02 - A Igreja Católica, através de suas comunidades, participa das alegrias e tristezas do povo brasileiro. O Concílio Vaticano II veio iluminar a missão evangelizadora da Igreja. Evangelizar pelo testemunho, dialogando com as pessoas e a sociedade. No diálogo, a Igreja (as comunidades) está a serviço de todas as pessoas. Ao servir, ela participa da construção de uma sociedade justa, fraterna, solidária e pacífica. No serviço, ela edifica o Reino de Deus.

     
     
     
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